O massacre da intimidade...

O massacre da intimidade...

                                                                                     Elias Mattar Assad

         Entre os costumes de nosso povo não está mais a “reserva da intimidade”. Muitos contam tudo para todos abertamente nos lugares mais comuns como salões de beleza, cafezinhos, no elevador ou no posto de gasolina. Reflexamente, entrevistadores e entrevistados abordam no ar ou nas páginas de seus veículos, temas que mesmo a dois causariam constrangimentos...  Será uma silenciosa revolução “contra-cultural” ou temporário movimento de “desobediência moral”

         Nos povos primitivos a nudez era justificada e as vestes viriam com a transposição das barreiras que separam histórias das suas pré-histórias. Com o vestir o corpo veio também o conceito de “intimidade” e os “assuntos” a ela inerentes, que dizem respeito apenas ao indivíduo. Enfim, é questionável mesmo se posso “abrir mão” (dispor) desse direito a intimidade. Não podemos esquecer, e parece que estamos esquecendo, que faz parte do direito do outro não querer saber das intimidades alheias... Isto está sendo “bombardeado...”

         No que concerne a liberdades, direito é uma “estrada de mão dupla”. Quando concluímos pelo direito de uma pessoa (indo), temos que inverter o raciocínio para vislumbrar o direito da outra (vindo). Ao imaginar que uma pessoa tem o direito de ouvir música no volume máximo de seu aparelho, andar seminua pelas ruas da cidade ou fazer “topless” nas praias e piscinas, temos que imediatamente focar o direito do outro que eventualmente se incomoda de alguma forma em ouvir ou ver tais coisas. Aos sentidos deste, o que possa ser para o outro agradável ou belo, pode traduzir como poluição visual e/ou sonora. Assim temos o “pólo negativo” ou outro extremo do raciocínio para o equilíbrio buscado pelo justo. Não podemos também rotular pessoas de “retrógradas”, “conservadoras” ou “atrasadas” se a igualdade perante a lei é um dogma.

         Faço esta abordagem na esperança de provocar reflexões em família, nas escolas, nos meios religiosos e políticos, sobre essa “outra pista” do direito. Antes de contar aquela “anedota apimentada”, repetir essas coreografias obscenas em forma de dança, de colar em sua banca de revistas ou estabelecimento aquele pôster de pessoas nuas, ao menos jogue com a possibilidade de estar sendo interpretado como mero poluidor por outros tantos... Cuidar para não perder o senso crítico ou a noção do ridículo. “Moralidade média” de um povo deve ser salvaguardada. 

(escrita em 2004)

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