Exigir respeito?

Exigir respeito?

                                                                           Elias Mattar Assad

         Todos os comportamentos humanos aceitos por uma sociedade passam a integrar um arcabouço denominado “usos e costumes”. Todas as leis devem estar aí assoalhadas. O Código de Direito Canônico estabelece no Cân. 27: “Consuetudo est optima legum interpres” (o costume é o melhor intérprete da lei). Se leis que contrariam “usos e costumes” anulam-se na prática, podemos afirmar que o costume é mais forte, estando para a lei como o esqueleto está para o corpo humano.

         Violar a lei é uma grande preocupação, mas devemos voltar atenção maior para o rompimento com os costumes de nosso povo, pela gravidade. Preocupamo-nos com a “desobediência civil” enquanto a “desobediência moral” e a violação dos nossos costumes contém real, infinitamente maior e incontornável potencial lesivo.

Os antigos romanos temiam os bárbaros (que habitavam “fora dos muros”), tendo-os como rudes trogloditas ou primitivos. Invasão bárbara inquietava-lhes o sono, aliás, realizada e derrubado aquele império.

Estremeço e temo ante a intocada questão envolvendo aqueles que a nossa sociedade está se encarregando de “barbarizar”. Esses excluídos absolutos que habitam as ruas e as prisões...

Enquanto nossos costumes impõem respeito à vida de nossos semelhantes e de suas famílias, que respeito podemos exigir daquelas pessoas que perderam o respeito pelas próprias vidas?

 Exigir que um homem ou mulher nos respeite, ou a nossos filhos, quando já abandonou os seus próprios, nas ruas, ou querer, em verdade, obrigar alguém a valorizar outras vidas, quando nenhum valor atribui para sua própria, não é uma contradição?

Sequer ousaria argumentar em exigir desse “nosso bárbaro” valorizar bens alheios quando sequer possui algum, ou sonha possuir...

         Estéril discutir “cidadania” antes de superar o verdadeiro desafio do milênio, de previamente resgatar esses irmãos, civilizá-los, catequizá-los, fazer com que resgatem a auto-estima, amor aos seus familiares, aos seus semelhantes, enfim, reprojetar luz em seus caminhos... Recordemo-nos que com “contradições internas” semelhantes, o império romano soçobrou a  não restar pedra sobre pedra... 

(escrita em 2005)

 

 

 

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