“Estávamos possuídos quando matamos...” ( I )

“Estávamos possuídos quando matamos...”  ( I )

                                                                                         Elias Mattar Assad

Na Comarca de Rio Negro-Paraná, idos de 1991, em caráter assistencial eu e meu pai, advogado Elias Assad, trabalhamos na defesa em um processo de homicídio. A denúncia do Promotor Público Dr. Cássio Roberto Chastalo: “em data de 2/4/91, por volta de 17h00, no interior da residência do denunciado “A”, os denunciados “A”, “B” e “C”, sob pretexto de que Bento (irmão do primeiro denunciado) estava com “o diabo no corpo”, conluiaram-se no propósito de matar a nominada vítima, ocasião em que “A” a segurava pelos braços, “C” a segurava pelas pernas, enquanto “B” a apertava na garganta, de forma que o resultado letal pretendido foi consumado, conforme se infere do laudo de necropsia a fls. 26/28”.

A primeira testemunha da denúncia, esposa do dono da casa onde ocorreu o fato, disse em seu depoimento: “...por volta das 15h00 o marido da declarante, de nome “A”, pediu para que ela arrumasse a mesa eis que mais tarde  viria um irmão dele de nome Bento (vítima), que a mesa seria arrumada porque “A” tinha o hábito de receber um espírito e dar remédios para as pessoas, que Bento viria consultar, que por volta das 17:00 horas chegaram “B”, irmão da declarante, “C”, também irmão da declarante, que logo em seguida chegaram “JK”, “MK” e a vítima Bento, primo, irmão e cunhado da declarante respectivamente, que neste momento o marido da declarante, “A”, saiu do banheiro, vestido de branco, cumprimentou os presentes, fez as orações para receber o “santo”, em seguida perguntou: “quem quer consultar, aqui”? Que Bento disse: “sou eu”, que quando o marido da declarante incorporado por um “santo”, perguntou o que ele queria, que Bento disse: “que ele era o Satanás e não mais o Bento”, que em seguida o irmão da declarante de nome “B”, abriu uma bíblia dizendo ser Jesus Cristo e que iria acabar com Satanás (Bento); eis que Satanás já tinha feito muita coisa errada para a humanidade; que Satanás não queria se retirar e dar o braço a torcer; Que Jesus (“B”), disse: “por três vezes para Satanás se afastar, como não foi atendido, agora seria a hora de te acabar para você nunca mais sair debaixo de uma pedra”, que nesse momento Bento (Satanás) se debatia violentamente, numa cena incrivelmente feia, que o marido da declarante segurava Bento pelos braços, no chão, que “C”, irmão da declarante segurava as pernas de Bento (Satanás), que enquanto falava “B” (Jesus Cristo) apertava a garganta de Bento, que Bento (Satanás) mesmo no chão teimava que iria dominar o mundo, que momentos após quando Jesus (“B”) levantou disse ter colocado Satanás debaixo de uma pedra para ele nunca mais sair; que de pé “B” (Jesus) disse “que as escrituras teriam sido cumpridas, que a Pátria era nossa”, que a declarante ficou muito espantada; que os três saíram “A”, “B”, “C”, dizendo que amanhã voltariam por terem outra missão...” (cinco outras testemunhas da denúncia e interrogatórios dos réus não destoaram destas afirmações).

O Laudo de Exame de Necropsia n. 3.517/91 do IML de Curitiba, concluiu que a morte da vítima “foi produzida por asfixia mecânica por esganadura...”

Na próxima semana traremos a íntegra do laudo de exame psiquiátrico, realizado nos Réus, por dois dos mais respeitáveis médicos psiquiatras do Complexo Médico Penal do Paraná, concluindo que cada um dos acusados “não possuía, ao tempo da ação, em virtude de sideração  emotiva, a plena capacidade de entender o caráter criminoso do fato e de determinar-se de acordo com esse entendimento...”. Estaria a medicina psiquiátrica começando a admitir “influxo espiritual” em condutas humanas sob a denominação: “sideração emotiva”?

A justificativa científica dos psiquiatras e a decisão do júri, com base nela, tudo oficialmente documentado, é o que trarei. Até lá... 

(escrita em 2005)

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