“Medicina não é igual a engenharia...”

“Medicina não é igual a engenharia...”            

                                                                                          Elias Mattar Assad

         O médico Eduardo Novak, nos brinda com sapientíssima manifestação a respeito da nossa crônica “Desenganados pelos médicos... cobaias e otários?” Extraio: “...A ciência desde que foi inventada, baseia-se nos critérios de tentativa e erro. Assim, uma viga de aço de 10cm de bitola é submetida a 10 toneladas de peso. Suporta tranqüilamente a tensão. Submete-se a 11 toneladas. Sem problemas. Quando atinge 12, parte-se. Ótimo, com base no erro, descobriu-se que o limite dela é de 11 toneladas...Um medicamento é pesquisado. Estudam-no in vitro. Sucesso. Passa-se para o rato. Sucesso. Passa-se ao chipanzé. Insucesso. Aborta-se o estudo. Outro medicamento é estudado. Passa pelo vidro, pelo rato, pelo macaco, vai aos seres humanos. Estuda num grupo de 100 pacientes, depois 1.000, depois 5.000. Através de critérios científicos conclui-se que o medicamento não pode ser usado, apesar de ter sido testado (e já usado, portanto), em 5.000 pessoas. Um  terceiro medicamento abortado. Passa por todas aquelas fases. Não dá problema ALÉM DO ESPERADO em 10000 pessoas. Recebe a aprovação do FDA. Descobre-se, após 10 anos, que há uma chance de 0,000015% de que esse medicamento cause um efeito colateral. Retira-se o medicamento do mercado. Ora, mas ele já foi utilizado em 100 milhões de pessoas! O que fazer agora? O Ilustre Professor, projetando-se sua análise, salvo engano desse redator, advoga que esse medicamento sequer deveria ter sido lançado. Pergunta-se: como se saberia de um efeito colateral, se sua chance de ocorrência era quase igual a de se ganhar na mega-sena? Ora,  Medicina não é igual a engenharia. Não há como prever TODOS os acontecimentos possíveis. Não há como prever quem terá choque anafilático ou quem não terá, na anestesia. Também, quem terá infecção ou não, na cirurgia. Qual cicatriz ficará feia, e qual não, na cirurgia plástica. Enfim, como bem sabe o professor, essa é a razão  pela qual a medicina sempre será atividade compromissada com o “meio”, e não com o “fim”. Ao médico, tampouco, cabe saber sobre qual remédio será retirado do mercado daqui a cinco anos...

Qualquer remédio que seja pesquisado obedece a um padrão risco X benefício. TODOS oferecem risco. Aspirina oferece risco até mesmo de morte... todo mundo consome aspirina, sem receita médica... Nesse sentido, os laboratórios, de igual sorte, NUNCA saberão TODOS os efeitos colaterais dos remédios antes de lançá-los. Eu disse NUNCA, em maiúsculas, assim como o presidente do maior laboratório mundial afirmou recentemente no Brasil. Sendo assim, não se pode mais lançar remédio? Retira-se remédio da AIDS, pois causa um monte de efeito colateral? Retira-se a elastina (que todos nós tomamos um dia), pois ela causa problema no fígado? Retira-se o Gardenal, pois pode levar à Anemia? Retira-se um quimioterápico, porque pode levar à insuficiência renal? Retira-se um antiinflamatório, porque pode dar gastrite? ...E o que dizer dos médicos e farmácias homeopáticas?...”  Continuarei na próxima semana com a abordagem do Dr. Novak. Ele sim, professor do assunto como demonstrado, eu não... 

(escrita em 2005)

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