Tuas razões não serão analisadas...

Tuas razões não serão analisadas...

                                                                      Elias Mattar Assad

           Recebi do Colega Charles Pagnosi um alerta ou espinho que em verdade está atravessado na garganta dos advogados brasileiros: “Alguém me escuta! Preciso desabafar, sinto muito, vocês foram os escolhidos. É sobre um processo criminal envolvendo um cliente amigo. Não é pela amizade que a causa faz diferença, posto que sua causa é a minha causa, eu como causídico, não importa a quem represento, sempre me dedico analisando cada problema na busca de uma solução e nela eu acredito, por ela eu choro, luto e grito.

            Todavia, fazer-se ser ouvido pelos nossos Julgadores, vem se tornando tarefa cada vez mais árdua, senão impossível, esqueceram-se eles, que um argumento sem resposta, é uma causa sem sentença.

Esse é hoje um sério problema daqueles que militam frente ao Poder Judiciário, pois muitos de seus representantes, não examinam os temas por nós levantados, o que é ainda mais agravado quando o juízo é criminal, onde não raras vezes, embora relatam minuciosamente ou copiam descaradamente os argumentos do Ministério Público — parte adversa na seara penal — nada dizem sobre a defesa apresentada pelo advogado.

Resta-nos interpor recurso, sobretudo exortando aos ditos Juízes que enfrentem as matérias levantadas, nós e os cidadãos temos a prerrogativa de saber porque nossa causa não foi aceita, todavia, a respostas vem em bordões que além de soar retardado, são tão genéricos que podem ser usados para uma infinidade de casos, o que realmente acaba acontecendo.

Não obstante estes problemas, eu me recuso a desistir de me fazer ser ouvido e acreditar sempre, que cedo ou tarde o eco de minha voz vai ensurdecer... Nem que seja através do último sopro, depois de verter todas as minhas energias e quando a minha expressão — outrora de menino — jazer marcada pelas poucas horas de sono ou pela desilusão de um mundo justo e igualitário, tal como instituído pela Constituição Federal, onde os homens sejam respeitados, não pelas suas posses materiais, seu intelecto, crença ou raça, mas, porque acima de tudo, eles, diferentes ou não, são como o é você, como sou eu.

Nossas diferenças são gritantes à medida que somos medíocres em acreditar que aquele lavrador que nunca foi à escola tem menos a dizer que o bacharel, ambos tem a apreender e a ensinar, assim como o Judiciário, muito tem a escutar para poder se situar antes de julgar.

            Que julgue então, ó Senhor Togado, dizendo se tenho ou não razão, mas, não me vire às costas, porque pela lei da qual é guardião, sou tido como indispensável à sua administração e, se logo e, que sou advogado, perder a fé em minha profissão, amanhã é a tua que não terá mais salvação...”

 Nossa voz também se une ao eco da sua nessa nobre aspiração: são os argumentos do cidadão que por nosso intermédio devem ser considerados e analisados exaurientemente. Não ouvir ou fazer de conta que não ouve é característica marcante da tirania. 

(escrita em 2005)

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