“Matamos seus filhos você nos desculpa?”

“Matamos seus filhos você nos desculpa?”

Elias Mattar Assad

Em tempo algum nos deparamos com a atual e caótica situação da segurança pública. Parece que a vida humana pouco ou nada vale. Onde foram parar aqueles valores que povoariam e enobreceriam a generosidade da alma humana? Se para algumas pessoas o direito a vida não tem qualquer sentido, para o Estado, pela sua própria razão de ser, deve estar erigido a primeiro e mais sagrado dos direitos fundamentais ou absolutos.

Assim, para não se incorrer em contradição e inaceitável desvio de finalidade, providências urgem, afinal, um “amontoado” de pessoas que denominamos “nação” um dia se organizou política e juridicamente para formar um ente, protetor maior, denominado “estado”. Era isto que a vocação coletiva aspirava: o Estado na terra e Deus no céu!

Não podemos exigir que todos atribuam para a vida humana um mesmo e sacro valor. De um menino de rua, de um mendigo, de desvalidos enfim, para os quais parece que as próprias vidas têm um valor ínfimo, próximo do nenhum, a situação é uma. De autoridades da nossa República, porém, pessoas selecionadas e mantidas pelos encargos e ingentes esforços comuns, devemos cobrar com rigor intransigente esse dever de proteger a vida de pessoas envolvidas em crime ou não.

Referimo-nos, evidentemente, as “armadilhas”, a que estamos todos expostos, das desastrosas “abordagens policiais”. Sem nenhuma técnica e com a sensibilidade de uma locomotiva, desgovernada e sem freios na descida, sucedem-se os “banhos de sangue”. No Paraná, em passado próximo, para o exemplo, um “enganinho” aqui outro acolá, um pastor..., alguns estudantes..., um delegado de polícia ou mesmo um deputado federal (rumoroso engano que culminou com a morte de Alencar Furtado)... Incontáveis casos no Rio de Janeiro (mais recentemente “praticaram tiro ao alvo” em pessoas nas ruas),em São Paulo, em meio a mais deslizes, recente engano do bairro do Jabaquara, uma freira norte americana... Lágrimas e ranger de dentes. Parece que esses episódios nenhuma lição ministraram aos detentores do poder ao longo do tempo. Apenas repetimos desgraças...

Autoridades públicas têm feito visitas fúnebres para famílias vítimas. Enérgica providência não se adote, em breve haverá que se instituir uma secretaria (ou ministério) para assuntos fúnebres... Inclusive constando do protocolo a forma com a qual o secretário (ou preposto) especial se dirigirá aos familiares: “matamos, você nos desculpa?” ( terno preto, falsas olheiras e palavras...)

Se os governos nada fazem, classicamente cabe recurso ao povo. Se a situação não for revertida vamos ter que fazer uma revolução para depor o estado delinqüente e construir outro com seus escombros? Sugestão de Slogan: “para que nossos filhos não morram amanhã vamos lutar e morrer hoje...” (isto nem combinaria com o Brasil!)

(escrita em 2005)

 

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