Prender por esporte...

Prender por esporte...

 Elias Mattar Assad         

Será que vamos ter no Brasil um “plantão policial” nos estádios para eventuais prisões em flagrante de atletas, técnicos, bandeirinhas, juízes, torcedores, gandulas, ou a “convocação da força pública” é somente para quando argentinos estiverem jogando por aqui? Caso absurdamente vire regra geral a “obra”, deveremos imaginar não somente para futebol, mas também para lutas de box, artes marciais, automobilismo, ciclismo, atletismo, entre mais modalidades esportivas. Na hipótese, deverão também integrar as equipes esportivas um grupo de advogados. Os atletas para cada novo país que rumassem, teriam que estudar as respectivas leis penais e adaptarem suas condutas em uma preparação mais demorada que para o desempenho do próprio esporte. Prudente será também um “fundo para pagamentos de fianças criminais”.

Não fossem regras severas que admitem apenas rara e teoricamente  configuração delitiva em ambientes esportivos (além da boa política criminal que desaconselha) e “embarcando” no raciocínio policial que protagonizou o episódio, vamos imaginar alguns dos nossos crimes mais comuns que “poderiam” ser cometidos nos esportes aqui no Brasil: ofensas verbais e físicas em geral constituem difamações, injúrias (podendo conter pitadas de “racismo”), ameaças, vias de fato, lesões corporais dolosas (levíssimas, leves ou graves) ou culposas por inobservâncias de regras técnicas. Assim, também podem ser aprisionados todos os torcedores de um estádio. Será que alguém está vendo aí um novo campo de trabalho aos profissionais do direito já que proliferaram tantos cursos jurídicos no Brasil? No futebol, a cada cartão vermelho ou amarelo uma prisão, um processo criminal certo e uma contratação de advogado também certa... (que não esqueçam de levar a vítima com escoriações ou olho roxo, para fazer exame de lesões corporais no IML, nem dos peritos criminais para fazer laudo quando um piloto de automóvel “fechar o outro” e causar um acidente com danos materiais e ferimentos).

         Na Argentina, em futuro próximo, e não precisa ter bola de cristal para projetar, algum atleta brasileiro também vai ser preso “por não ficar em correta posição de sentido durante a execução do hino nacional...” – ou algo próximo a isto... Teremos que ficar quietos e aceitar a “reciprocidade”.

         Competições, desde a origem, existem para extravasar emoções tanto dos praticantes quanto dos entusiastas e torcedores... Estamos esquecendo que “o importante é competir...” e isto gera clima de guerra onde o adversário passa a “inimigo” (ou agora partes contrárias em processos...). Que estamos perdendo o senso esportivo sabemos, mas o senso do direito não podemos perder! Se a “nova moda pega”, as torcidas irão se deslocar dos estádios para os tribunais – e será transmitido ao vivo – em um grande, novo e deprimente espetáculo de banalização do direito e da justiça.  Não podemos admitir desgastes jurisdicionais e abrir crises entre nações por esses problemas menores... 

(escrita em 2005)

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