Um novo Deus no Universo...

Um novo Deus no Universo...

Elias Mattar Assad

Transcorria a “Conferência Nacional da OAB”, em Foz do Iguaçu, e por mera curiosidade entrei em uma sala, onde ideologias políticas e econômicas estavam sendo confrontadas, bem no momento onde um orador comovido lamentava bradando: “... há um novo deus no universo, novos vaticanos, novas concepções, novos pastores, pregadores e confessores, novas igrejas e novos fiéis... uma nova ética com suas normas próprias, novos céus, purgatórios e infernos...” E, rematando o raciocínio: “... Esse novo deus chama-se dinheiro! Os novos vaticanos são as bolsas de valores! As novas concepções e normas éticas derivam das leis de mercado e das selvas! Novos pastores e pregadores são os operadores da bolsa e os executivos financeiros! Novos confessores os marqueteiros! Novas igrejas são os bancos e assemelhados! Novo céu é o poder aquisitivo! Purgatório é a expectativa e inferno provém do projeto legal ou ilegal que deu errado com o fogo e o ranger de dentes da falência, da miséria e da prisão! Os novos fiéis, essa legião que denominamos consumidores ou eleitores dependendo do momento...”

Aplaudi efusivamente o orador, que se misturou ao grupo sem que tivesse conseguido registrar seu nome. Ficou a lúcida mensagem ecoando em minha memória e, admito, no início entendi exageradas as afirmações. Hoje, com os recentes e deprimentes espetáculos nacionais, passados mais de dez anos, gostaria de encontrá-lo para reverenciá-lo como a um mestre...

Em verdade, um contemporâneo “bezerro de ouro” vem sendo cultuado clandestinamente, em um mercado medievalesco onde em cada tenda uma consciência, uma confiança, uma moral, uma carreira, um ideal, uma fidelidade, uma traição, uma calúnia, uma vingança, enfim, um valor ou uma miséria humana a venda...

Uma sociedade pode até limitar por leis o poder de uma autoridade, mas o “poder de compra do dinheiro” somente pode ser limitado pela educação que as famílias e os professores ministram, pelos princípios éticos que as religiões pregam. Ao endeusarmos o dinheiro, nossos filhos e filhas, eleitores e políticos, operários, autoridades, pastores, profissionais liberais, comunicadores, institutos de pesquisas, etc., estarão sempre a serviço e sob ordens daquele que pagar mais... É essa a nação que aspiramos? A ciência popular prognostica: “quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito...” Longe de querer duvidar dessa última pesquisa de opinião e de sua metodologia, será que somos um povo tão especial, que mesmo ante um dilúvio de lamas a popularidade do presidente “se mantém ou aumenta?” Ainda mais quando seu principal argumento tem sido conjugar o verbo errar em vários tempos (menos na primeira pessoa) e a inacreditável banalização ou quase proposta de institucionalização da imoralidade (tipo: “se na política sempre existiu, neste país, acertos e caixa um, companheiros, por que não pode existir caixa 2, 3, 4?”). Inadiável a repetição da histórica cena do banir de nosso meio o maldito “bezerro de ouro” e seus enceguecidos adoradores... 

(escrita em 2005)

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