A verdadeira bolha não estourou...

A verdadeira bolha não estourou...

                                                                                                          Elias Mattar Assad

O experiente advogado Ivo Shizuo Sooma (Umuarama-PR), escreveu: “...a partir de sua  matéria sob o título ‘finge-se não compreender...’  publicada no jornal O Estado do Paraná - Direito e Justiça, 28/09/2008, que fala no ‘deus dinheiro num mundo onde tudo está a venda’, exponho outra idéia de que se o dinheiro é  deus, o uso nocivo dele é o demônio! Pela bíblia, demônio é a criatura que se voltou contra o Criador. No curso da história parece ser uma constante o homem  criar coisas que, em princípio, beneficiariam a   humanidade, mas suas criações em breve o dominam... Das ciências e das técnicas resultaram inúmeros instrumentos de destruição. Os telefones celulares, que de práticos aparelhos de comunicação, passaram a angustiar muitos dos seus usuários que não têm os modelos mais recentes (cativos de seus botões e artifícios). As calculadoras e agora os computadores  estiolaram o raciocínio dos seres humanos, que não sabem mais fazer conta e estão reduzindo também a capacidade de redigir, o que ocorre com frequência inclusive com alguns advogados, que se rendem à facilidade de “scanear” textos já feitos (plagiatários). Adquirentes de aparelhos de sons, fascinados com a multiplicidade de seus recursos técnicos, acabam por não desfrutar das delícias das músicas, entregando-se ao manejo de botões de várias espécies (sem falar na poluição sonora). Automóveis, elevadores, escadas rolantes, etc., levaram ao sedentarismo, em prejuízo da saúde. A alta velocidade dos carros coloca em risco a segurança pública e  seus fabricantes precisam amealhar  mais lucros com a venda de novos modelos que tornam o anterior  obsoleto (basta mudar um detalhe).

O dinheiro foi uma talentosa criação do engenho humano, porém, como  toda criação humana é falível, ganhou uma perigosa dimensão própria. Agigantando-se, deixou de ser uma medida de valor representativo de produtos e serviços e alguns ladinos, profundos conhecedores desses mecanismos, praticamente apropriaram-se dos meios circulantes (riquezas) e dos substitutos da moeda, inclusive com o uso e manipulações de dados virtuais e informações privilegiadas, passaram a dominar grande parte das relações humanas esbulhando seus incautos semelhantes. É exemplo visível da criatura que, nefastamente, voltou-se contra os criadores gerando enormes desigualdades sociais...”

Concordo com o colega Ivo e agradeço pelo escrito. Isto leva ao raciocínio de que nessa manipulação ou dominação dos mercados pelos experts em moedas e títulos de crédito, ocorrem situações que nossa “lógica de simples mortais” não consegue acompanhar ou compreender. O dólar estadunidense é algo “miraculoso”. Quando a economia daquele país vai  bem, ela sobe. Quando não, também sobe. E, quando vai mal,  beirando a depressão como em nossos dias, o dolar dispara em altas! Talvez essa força “titânica” derive da imagem mística que vem estampada nota de cem deles (será do novo deus ao qual nos referimos"). Paradoxal é o fato dela se manter “desvinculada” da economia norte-americana, como se moedas de valor extrínseco, valessem por si mesmas... Por derradeiro, existem mais dólares circulando fora dos EUA que internamente. No dia em que o mundo acordar, abrir suas gavetas e optar por outras moedas, os “dólares voadores” voltarão para aqueles condados e, aí sim, a verdadeira bolha vai estourar pois faltarão produtos e abundarão cédulas verdes. Para o remate, meu caro Ivo, não sei como eles podem ter “condados”, pois nunca tiveram nem reis nem condes... Haja demônio! Valha-nos Deus... 

(escrita em 2008)

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