No saco do Papai Noel...

No saco do Papai Noel...

                                                                                           Elias Mattar Assad

“As cenas de nossa vida são como imagens em um mosaico tosco; vistas de perto, não produzem efeitos – devem ser vistas à distância para ser possível discernir sua beleza. Assim, conquistar algo que desejamos significa descobrir quão vazio e inútil este algo é; estamos sempre vivendo na expectativa de coisas melhores, enquanto, ao mesmo tempo, comumente nos arrependemos e desejamos aquilo que pertence ao passado.” (Schopenhauer)

Nada como um final de ano para acentuarmos nossas paranóias em  miscelâneas doentias de consumismo, falsas afetividades e pálidas lembranças de uma crença. Enquanto nossos antepassados cultuavam o Mestre, seu incomparável legado religioso e humanista, salvo um em dez, nós endeusamos o “papai noel”  e acreditamos piamente que o “ano novo” é uma mística “potência” que resolverá as nossas infelicidades acumuladas...

Duramente advertimos nossos fornecedores e tarefeiros que se a encomenda não chegar, o serviço não ficar pronto nem der certo até o natal ou ano novo, terão sérios problemas conosco. Estes, oprimidos, comportam-se ainda mais raivosos com seus empregados numa progressão geométrica de xingamentos e desrespeitos que se avolumam, justamente nestes dias...

Nos grandes templos do consumo ou nas pequenas lojas, desfila a enceguecida procissão desses “novos fiéis” em busca de alguma coisa. Nem sabem ao certo o que, mas exigem belas embalagens coloridas e brilhantes. Isto deriva de um subconsciente ou herança de um inconsciente coletivo remoto, que possa lembrar o ouro, o incenso, a mirra. Assim imaginam reverenciar as figuras bíblicas dos reis magos, dos quais esqueceram os nomes, de onde vieram, para onde iam e mesmo para quem levavam as oferendas e, acima de tudo, o que significavam... Quem sabe os sociólogos ou psicólogos um dia aprofundem mais os estudos desses estranhos comportamentos atuais. Por enquanto, ficam inertes a observar os pais brigando com os filhos que querem coisas inalcançáveis, casais brigando por esta ou aquela compra ou como pagá-la (em 12 ou 24, já comprometendo os próximos natais). Pessoas, em contradição com o espírito natalino, extremamente deprimidas...  

Os registros oficiais, dão conta que o maior número de ocorrências policiais se dá justamente entre os dias 20 de dezembro a 10 de janeiro. Pior, em família, as brigas são entre parentes que se encontram e discutem problemas antigos mal resolvidos (“você só aparece no natal, eu cuido dos pais o ano todo... Pô! Vai me pagar o que te emprestei cara" Quem fez essa fofoca foi tua mulher...”), abusos nos gastos, na comida, na bebida, no trânsito, nos foguetórios, originando lamentáveis cifras negras...

Valores natalinos são imateriais e não se compram. Aqueles que os possuem adquiriram em família, nos templos e nas escolas. Os apelos comerciais são persuasivos e, se não podemos fazer como Jesus fez com os vendilhões, ao menos deveríamos colocá-los nos seus devidos lugares...

Se queres resgatar o sentido original do evento em toda a sua plenitude, comece por se isolar fechando os olhos por alguns segundos, concentrando-se na mesma estrela que riscou aqueles céus, nos que a seguiram, quem encontraram e o que significou para a humanidade... Encontre-O também. Assim, o Aniversariante participará da sua ceia e nada se mostrará mais valioso... Feliz Natal! 

(escrita em 2008)

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