Crianças desaparecidas...

Crianças desaparecidas...

                                                                                      Elias Mattar Assad

Mistério é a alma ignorada das cousas...” (Gustavo Lebon)

         Nada há de mais inquietante e aterrorizador que o tema “crianças desaparecidas”. Quando vislumbramos cartazes, com apelos e fotos das pequenas vítimas, imediatamente imaginamos tanto o torturante pesadelo dos pais quanto a quase falência do sistema oficial de busca.

         Pais e amigos das vítimas, bairros, escolas, clubes, cidades, autoridades nacionais e estrangeiras, entidades não governamentais, todos envoltos em um misto de esperança e angústia no aguardo de acontecimentos esclarecedores do intrigante mistério...        

         Se estamos reduzidos a uma “aldeia global” por força tanto dos atuais meios de transporte quanto dos de comunicação, a lógica indica estarem em algum ponto do globo (as crianças ou ao menos a verdade sobre elas). Assim, a única força capaz de compelir pessoas a se engajarem de fato no desvendar desse terrível mistério, queiramos ou não, é o dinheiro. Aquele mesmo dinheiro que serviu para vender Cristo deve ter sido usado para levar as vítimas (ninguém as levaria gratuitamente ou por amor...).

         Assim, somos obrigados a concluir que mercenários se articulam numa criminosa rede de subtração, vantagem financeira e entrega. Se para esse fim não há lei nem ética ou religião que os iniba, esses mesmos mercenários hão de não ter “ética corporativa” para (por si ou por terceiros) fornecerem informações verdadeiras do destino das crianças, fazendo “arder na fogueira” os destinatários dos menores seqüestrados, que na outra ponta são os estimuladores desses insolúveis crimes...

         Indago aos advogados civilistas: Se o artigo 1512 do anterior Código Civil Brasileiro (854 do atual) disciplina a “promessa de recompensa”, é lícito criar um fundo de doações a ser gerido por uma associação dos pais das vítimas com objetivos de oferecer recompensas, sempre muito maior do que poderia render um seqüestro, para se tentar solucionar o problema" Em sendo possível, creio que a notícia se espalharia rapidamente pelo mundo e teríamos o mesmo filme “passando ao contrário” e, aos poucos, desmanteladas essas redes criminosas. Se este método falhar, passarei a acreditar em “rapto por extraterrestres...”   

         Vamos tentar retratar, nas próximas crônicas, as angústias de um casal que vive esse drama há 17 anos. Trata-se de José Vicente Rossini Gonçalves e Eliane Rocio Lima, pais de Everton de Lima Vicente Gonçalves, desaparecido no dia 23/12/88. Tudo preparado para o natal e de repente... 

(escrita em 2008)

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