Crianças desaparecidas (II)

Crianças desaparecidas (II)

                                                                                     Elias Mattar Assad

Ewerton, o primeiro filho do casal José Vicente e Eliane Gonçalves, na véspera do natal de 1988, quando contava com quatro anos de idade, foi vítima de seqüestro em frente de casa quando esperava a chegada do pai para o almoço.

Dando pela falta do filho, o casal começou a procurar nas imediações da casa, com ajuda de vizinhos e familiares, até que, perto das 15h00 daquele dia, indagaram um pedreiro que trabalhava próximo, mostrando uma foto do menino e o mesmo afirmou que tinha visto a criança, conversando com um adulto nas proximidades.

Deixando a mulher em casa, pois tinham o terceiro filho com 19 dias e o segundo com dois anos, foi até a Polícia, Divisão de Vigilância e Capturas, por volta das 17h20 e informaram-lhe que deveria aguardar mais 24 horas para caracterizar o “desaparecimento de pessoa”. Insistiu que se tratava de uma criança de quatro anos de idade e não de um adulto ou adolescente. O policial disse-lhe que estaria acionando, via rádio, todas as equipes em ronda pela cidade e cercanias.

Toda a família ficou em vigília naquela noite, na véspera do natal e dias seguintes. Inclusive o avô, José Vicente Gonçalves, que trabalhava nos meios de comunicação, fez dramáticos apelos para que as emissoras e jornais passassem a divulgar, na esperança de localizar o neto.

A vida da família ficou paralisada na busca diuturna, enquanto o inquérito policial averiguava fragmentos de informações. Para se ter uma pálida idéia do desespero e da angústia dos pais, tornou-se rotina acordar pelas noites e vagar em terrenos baldios, parques de Curitiba, cemitérios, casas abandonadas, pelo leito do rio Belém vasculhando-o e as manilhas que nele deságuam. Longas viagens entre cidades maiores, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e fronteiras com países, vasculhando espelhos de passaportes das aduanas para verificar fotos.

Tornar-se-ia fastidiosa a minudente narrativa de todas as providências de que lançaram mão os infelizes pais. Ficaram conhecidos os cartazes com foto da criança espalhados por todo o país e fora dele. Enfim, incontáveis apelos em programas de rádio e televisão, jornais e revistas, cartas dirigidas a autoridades nacionais e internacionais, artistas famosos e comunicadores, escritores e roteiristas de novelas, representantes da UNICEF no Brasil, todas as “fundações de bem estar do menor”, páginas na internet, etc. Conseguiram nesses ingentes esforços, inserir alertas em saquinhos de leite, latas de azeite, pacotes de café, marcadores de livros, caixas de sapatos, caixinhas de achocolatados, mesmo nos recibos de pedágio das estradas, cartões telefônicos, lacres de botijões de gás, camisetas com foto estampada, papéis de lojas de departamentos. Por mais incrível que possa parecer, tudo isto em cinco idiomas. Consultaram até a Marinha sobre correntes marítimas e o melhor momento para lançarem milhares de garrafinhas ao mar, estando também a bordo de navios ancorados em Paranaguá fazendo apelos para que as tripulações também o fizessem quando em águas internacionais..Continuarei. 

(escrita em 2008)

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