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“Carli Filho precisa passar pela pedagogia da justiça”, diz advogado a jurados

O advogado de acusação Elias Mattar Assad cobrou nesta quarta-feira (28) “a pedagogia da justiça” dos sete jurados que dirão se o ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho, 35, é culpado ou inocente pela morte de dois jovens em um acidente de carro ocorrido em maio de 2009 em Curitiba.

“Hoje é um dia histórico: ele [Carli Filho] precisa passar pela pedagogia da justiça”, afirmou o advogado, durante a fase final do júri popular a que o ex-deputado é submetido desde ontem.

Carli Filho responde à acusação de duplo homicídio com dolo eventual (quando a pessoa assume o risco de matar) por ter conduzir embriagado, com a carteira suspensa (por excesso de multas, incluindo excesso de velocidade) e a uma velocidade que, conforme a perícia, ficou entre 161 e 173km/h.

Assad é advogado da família Yared, que, com o acidente provocado por Carli Filho, perdeu Gilmar Yared, 26, estudante de jornalismo e psicologia e que se preparava para uma temporada na Austrália. Junto dele, morreu Carlos Murilo de Almeida, 20, amigo de Yared e funcionário de um cinema na capital paranaense.

“Se vocês [jurados] o julgarem por homicídio culposo [ou seja, não intencional e de pena mais branda], vai liberar geral”, sugeriu Assad, que apontou a “vergonha nacional que um deputado nosso nos fez passar”.

A fase de debates foi aberta nesta quarta-feira pelo promotor Marcelo Balzer, que sustenta a acusação. Ele enfatizou em mais de uma oportunidade que o ex-deputado “não poderia estar dirigindo”. “Ninguém o obrigou a beber, ele embriagou-se voluntariamente. E agiu de forma indiferente [à lei e aos riscos a terceiros], pois dirigiu sem carteira”, afirmou Balzer.

“Os senhores querem acreditar que foi apenas naquele trecho de 550 metros [do acidente] que ele trafegou em alta velocidade?”, questionou o promotor, apontando, com base em laudos telefônicos da época do acidente, que Carli Filho também falou ao celular por cinco vezes desde a saída do restaurante onde havia bebido até a colisão.

“Dirigia sem carteira, embriagado e falava ao celular”, enfatizou Balzer. “Não tenho nada contra o réu e a família da vítima. Me preocupo com o meu mundo. Todos nós pensamos em mudar e fazer algo para mudá-lo, não?”, questionou o promotor. Nesse momento, Carli Filho chorou por alguns segundos.

Imagem: Giuliano Gomes/Estadão Conteúdo

Julgamento tem bate-boca entre advogados

No início da tarde, advogados de defesa e de acusação bateram boca e trocaram ofensas durante os debates que marcam a etapa final do julgamento.

Após uma hora e meia destinada à acusação, a defesa de Carli Filho apresentou argumentos segundo os quais as mortes se deram em um contexto de acidente de trânsito não intencional, e não no de um duplo homicídio com dolo eventual.

Um dos advogados do ex-deputado, Roberto Brzezinski, afirmou aos jurados que a acusação teria contratado uma agência de publicidade “para enganar a população” sobre a velocidade que Carli Filho teria praticado por meio e adesivos com a mensagem “190 é crime”.

Assad cobrou de Brzezinski a localização da informação nos autos do processo, mas não foi atendido.

Em seguida, o advogado do ex-deputado criticou o fato de, segundo a defesa, os dois jovens no Honda Fit atingido pelo Passat de Carli Filho não ter parado em uma via que seria preferencial a ele.

“Infelizmente o Honda Fit não parou”, disse o advogado. “Mas isso não importa, né?”, indagou, irônico.

“Nada importa, doutor. A velocidade [de Carli Filho] não importa”, reagiu Assad, devolvendo a ironia.

“Estude direito. O senhor é uma vedete”, reclamou o advogado do ex-deputado. “A inveja é o maior tributo que o fracasso pode prestar ao sucesso de alguém”, respondeu o advogado da família Yared.

A estimativa é que a sentença saia nesta quarta-feira.

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