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Tem sangue neste plenário”: veja o que disse a acusação no júri de Carli Filho

“Tem sangue neste plenário. Havia um cérebro na rua. Estamos sujos de sangue”, afirmou nesta quarta-feira (28), durante o julgamento do ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho, o advogado Elias Mattar Assad, que representa a vítima Gilmar Rafael Yared, filho da deputada federal Christiane Yared. O discurso foi feito diretamente aos sete jurados na 2.ª Vara Privativa do Tribunal do Júri, em Curitiba. Assad é assistente de acusação no processo.

O advogado exibiu reportagens da época em um telão e Carli Filho não se virou para assistir aos vídeos. “Não há dúvida. Tudo está provado dentro do processo”, afirmou. Segundo Assad, a carteira de habilitação cassada do ex-deputado, a embriaguez ao volante e alta velocidade (entre 161 km/h e 173 km/h, segundo perícia policial) no momento do acidente são contundentes para provar o duplo homicídio doloso.

julgamento prosseguiu com a versão da defesa sobre os fatos. Eles tiveram tempo igual para sustentação: 1h30. Alegaram que as vítimas invadiram a preferencial.

Assad ainda fez menção ao arrependimento do réu. Nesta terça-feira (27), durante o interrogatório, ele pediu desculpas às mães e afirmou que errou. Para a acusação, no entanto, “não apaga o fato de ter assumido o risco de matar”. “Foi uma vergonha nacional que o ex-deputado nos fez passar”, disse Assad. Carli Filho foi multado 30 vezes e acumulava 130 pontos na carteira de motorista em 2009.

O promotor Marcelo Balzer falou por mais uma hora. Ele afirmou que se trata de um homicídio doloso (intencional). “Não bastasse a dor do luto, tem que enfrentar a dor de ser apontado como causador da morte”, afirmou, rebatendo a estratégia de defesa de responsabilizar as vítimas.

O promotor também exibiu um áudio em que Cari Filho assumiu que sabia sobre a cassação da carteira. Ele também exibiu um depoimento em vídeo de um funcionário do gabinete do ex-deputado. Ele era motorista do réu e disse que nunca assumiu multas em nome de Carli. Na terça-feira (27), o réu disse no júri que as multas não haviam sido tomada por ele.

Marcelo Balzer também explorou o depoimento de um amigo de Carli Filho (o médico Eduardo Missel) e de funcionários do restaurante que falaram nesta terça que ele não teria condições de dirigir. “É o que ele fez? Pegou o carro e saiu”, afirmou o promotor.

A promotoria também rebateu a versão do perito particular, que tentou desqualificar a perícia do Instituto de Criminalística, a questão dos radares e voltou a exibir fotos dos corpos. “Não precisa ser perito para saber que aquele acidente foi causado porque um dos carros estava em alta velocidade”, afirmou. “Se foi uma guilhotina, ele (Carli Filho) foi carrasco”.

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